domingo, novembro 27, 2005

Utopista

Tento escrever qualquer coisa,
e só me lembro do poema de um poeta de agora...
O génio de outra mente bloqueia-me,
a minha inspiração gela e chora...
Penso em ti como alguém de futuro,
vejo-te como quem nos vê de fora.
Sei, que sou o utopista sem decoro,
e com o orgulho na mão vou embora...

sexta-feira, novembro 25, 2005

Fome - De volta à abstracção...

Tenho fome de poesia,
alimenta-me este animal.
Sempre abalrroei a magia,
nunca deixei de me sentir mal,
de sentir esta hemorragia,
o amor sangra sem igual.

Esta letra de uma música,
uma harmonia descomunal,
já conheço esta magia,
esta sensação sensacional,
muda a força e a energia,
o que sinto é igual.

Como pode ser tão certo,
algo que muda sem avisar?
Como posso sentir tão perto,
quem mal posso tocar?
Como me sinto no deserto,
enquanto me vejo a nadar...

Mas é bom,
refrescante mesmo,
este magneto tem um som,
difícil de imaginar.
É o som da tua voz,
que teima em me gozar...
Não é intencional,
é o destino que cumpre.
Não queres mal,
queres o segundo "para sempre".

Estou para alí,
em fundos de música...
A noção já perdi,
em instrumentais electricos,
que me percorrem o corpo,
em ritmos frenéticos,
bebo o meu copo,
de fogo para do estomago,
apagar o gelo de ansiedades,
que da vida, do âmago,
me percorres...

Como outrora alguém percorreu,
e continuo a gostar de verde...





Ao som de Duarte Paiva Rosado

Verde

E vejo-te longe...
Vejo-vos longe...
Uns com mais pena que outros...
Mas a ti principalmente...
Tenho saudades...
Por uma qualquer loucura minha,
tenho mais saudades hoje do que nunca...
Porque algures lá para trás cortei pela raiz o que sentia,
por não poder sentir porque já alguém o sentia e também porque...

...

porque tu o sentias e não por mim...
Aflige-me... Não quero ter mas tenho, pressas imensas... Aflige-me!
Não, não, não! TU não, não és tu, tu és erro és passado que já sofri...
Tu... Sim, és tu mesma, verde no fundo...
És tu que me não querendo magoar apaixonaste por ti,
tipo, tipo... Tipo... Qualquer coisa, que não sei...

Um qualquer cliché fez de mim parvo,
(ainda a tens? eu dou outra... mais cliché menos cliché...)
um qualquer "estou?" fez de mim parvo...
Mas não te consigo desejar no carnal,
por respeito por deslumbre...
Parvo...

E tu preocupas-te,
com o dentro de cada um e o fora de dois,
que sabes que se gostam que são parvos...
Parvo eu outravez e tu sempre ciente...
E eu queria ter-te mais dentro,
e que me tivesses mais dentro,
e estarmos mais entrelaçados assim na mente...

Não sei o que é,
nem porque volta assim.
Não era contigo que isto voltava,
mas é isto mesmo que eu conheço!
Não contigo, mas conheço!
És fabulosa, e verde no fundo...
Mas não dentro, dentro não!

terça-feira, novembro 01, 2005

Os de sempre

Ouço Deuses de poesia
na minha, dia a dia, demente: mente.
Sofro a magia que molda,
a minha alma intransigente.

Tenho dores de revolução,
morre-me a lingua de efemeridade.
Qual planta: sobrevive-me a caneta,
Orgão integrante de minha física humanidade.

Sou louco, estou, pois sempre fui.
Fazer do sentido insensato por seu fim,
perco-me no nada do tudo que digo,
e isso dá paz ao inquieto de mim.

Calma a loucura, vou-me deitar,
tenho dores de revolução.
Agito-me em meu dormir,
dentro explode-me a razão...

Deusa de obcessão,
ora na retina,
ora na memória,
vivo-as em contemplação!
Um dia conto a história...
Sinto de sangrenta intensidade,
deixo o peito arder: piromania.
Merda de utopia,
merda realidade:
Imiscíveis exploram-me a algia!

domingo, fevereiro 27, 2005

Proposta

Façamos como proponho:

Imaginemos que nunca fomos...
Afinal, alguns anos atrás não eramos...
Em que aspecto era essa época diferente do que somos?
Nenhum, ou quase nenhum, vejo eu...

Não o vêdes? Então vejamos:
Vós ereis algures perto do mar, mas perto mesmo, já molhados.
Eu era... Perto do mar é certo, mas sazonalmente húmido, portanto, entre tempos...
Interactivamente? Colossalmente nada, eramos...

O que somos agora para além do que outrora fomos?
Um monte de mera educação por respeito ao que pelo meio nos tornámos?
Dispensáveis considero, os simpáticos sorrisos...
São raros os meros traços, que ilustram do passado os lábios...

Assim perfiro lembrar o que fomos pelos intermédios espaços...
As frases criadas nesses turvos pensamentos...
Os choques sociais e risos devassos,
a monotonia amada que não soubemos amar,
que à semelhança do que escrevo acabámos por quebrar,
por abandonar...
É a prova de que não basta deixar andar...

sexta-feira, janeiro 28, 2005

*2...

Penso, logo existo...
Mas logo apenas, não agora...
Logo porque por agora insisto,
nesta letargia que demora...

"São necessárias duas extremidades,
para manter uma ligação..."
"A ligação subsiste por si,
se assim tiver de ser..."

Polos opostos, incompatíveis,
demonstração por "deixar andar"!
Opiniões imisciveis,
que o tempo trata de decantar...

Ele há dores tão variadas!
Mas esta eu não queria mesmo provar...
Tomei-lhe o sabor amargo, de horas azedas,
e ganho vontade de a inércia contrariar...

Mas só, não posso... Sabes que não podemos...

A exclusão é um muro da mente,
que só o dono da mesma pode vencer...
Reassumir uma posição consciente,
e a realidade querer ver!

A realidade pode ser descrita, mas mal...
Pode ser desenhada, infielmente!
A realidade tem de ser sentida, pois ela é nossa criação!

Por quatro palavras? Não... Por vida e por um bom caminho ao longo da mesma...

segunda-feira, janeiro 17, 2005

O Grande

Partiu...

"Eu sei, eu percebi..."

"Não quero que chorem..."

O Grande vive, por meio do seu ensinamento...

quinta-feira, janeiro 06, 2005

O Grande - Não é poesia é linha de pensamento!

O grande deitado espera... Espera por esperar mais ainda: eternamente.
E eu sento-me, de musica no colo, terno...
Pergunto se gosta,
responde que peixe voa...
Não entendo, mesmo sendo rei da abstracção,
digo que sim e brinco imerso em falsa ingenuidade, apenas para que não doa.
Penso e repenso no poder de decisão...
Penso no julgamento alheio...
Penso no quanto o primeiro influi no segundo...
E choro por desde já saber que me não vou poder acabar.
Mudo-me para o tal estado unido,
onde existe lei de finitude digna...
Mas como, estarei louco na altura!
Temo porque sempre quis ser como O Grande...
Excepto na finitude...

terça-feira, dezembro 14, 2004

Pensamentos

Mudanças:

Sei que de dia para dia o dia muda… Que o mundo muda… Em pensamentos, em consciência, no inconsciente… Muda… Porque tem de mudar…

Pesar:

Sei que passam dias de pesar… Sempre passaram… Sempre vão passar… Uns inevitáveis, outros nem por isso… Custa-me aceitar os primeiros, custa-me falhar não evitando os segundos… Mas como poderia alguém exigir tal coisa!? O evitar de tantos dias de pesar? É inconcebível a simples ideia de evitar algo que brota numa vida qual gás numa garrafa de Cola recentemente aberta!

Sonhos:

Criamos sonhos… Uns a solo, outros numa autêntica orquestra! Uma orquestra à qual falta um maestro… Sempre existiu e sempre existirá um violinista errante que teima em tocar só… Que teima que a melodia subsiste per se, mesmo que cada musico toque para seu lado… O violinista acaba por sair, e a melodia continua… Já não é a mesma melodia, mas continua… Quanto ao violinista: não se sabe e não quer saber…

Frases:

Conjuntos de palavras que fazem sentido… Pelo menos para algumas pessoas… Pelo menos para aquelas que as criaram… Quando uma frase é criada com base num sonho comum, todas as palavras são essenciais… Quando uma palavra cai, as outras perdem sentido…

O matutar da aparente abstracção

Deito-me...
E penso...
Penso-me,
velho...
Penso-me,
futuro...
Penso-me,
falhado...

Imagino o que aconteceria,
se o amanhã viesse hoje...
O que deste meu mundo seria,
se na minha eterna distracção,
o dia acordasse novo em seu brilho,
enquanto eu: velho...

Utopia é a minha esperança,
de moldar a vida a favor...
Mas perante súbita mudança,
mergulho em pensamentos de morte,
e no porquê de estar morto sem o estar,
e na impossibilidade de esse facto alterar...

Peter Pan me abate...
Desamparado,
meu corpo no tempo embate...
E rola anos e anos sem reacção...
Até que vejo Peter Pan novamente...
Não querendo, fujo de repente...

Vida e morte...
Ser e não ser...
Controlar as respostas,
tudo na humana mente...
Tudo é tempo!