domingo, fevereiro 27, 2005

Proposta

Façamos como proponho:

Imaginemos que nunca fomos...
Afinal, alguns anos atrás não eramos...
Em que aspecto era essa época diferente do que somos?
Nenhum, ou quase nenhum, vejo eu...

Não o vêdes? Então vejamos:
Vós ereis algures perto do mar, mas perto mesmo, já molhados.
Eu era... Perto do mar é certo, mas sazonalmente húmido, portanto, entre tempos...
Interactivamente? Colossalmente nada, eramos...

O que somos agora para além do que outrora fomos?
Um monte de mera educação por respeito ao que pelo meio nos tornámos?
Dispensáveis considero, os simpáticos sorrisos...
São raros os meros traços, que ilustram do passado os lábios...

Assim perfiro lembrar o que fomos pelos intermédios espaços...
As frases criadas nesses turvos pensamentos...
Os choques sociais e risos devassos,
a monotonia amada que não soubemos amar,
que à semelhança do que escrevo acabámos por quebrar,
por abandonar...
É a prova de que não basta deixar andar...

sexta-feira, janeiro 28, 2005

*2...

Penso, logo existo...
Mas logo apenas, não agora...
Logo porque por agora insisto,
nesta letargia que demora...

"São necessárias duas extremidades,
para manter uma ligação..."
"A ligação subsiste por si,
se assim tiver de ser..."

Polos opostos, incompatíveis,
demonstração por "deixar andar"!
Opiniões imisciveis,
que o tempo trata de decantar...

Ele há dores tão variadas!
Mas esta eu não queria mesmo provar...
Tomei-lhe o sabor amargo, de horas azedas,
e ganho vontade de a inércia contrariar...

Mas só, não posso... Sabes que não podemos...

A exclusão é um muro da mente,
que só o dono da mesma pode vencer...
Reassumir uma posição consciente,
e a realidade querer ver!

A realidade pode ser descrita, mas mal...
Pode ser desenhada, infielmente!
A realidade tem de ser sentida, pois ela é nossa criação!

Por quatro palavras? Não... Por vida e por um bom caminho ao longo da mesma...

segunda-feira, janeiro 17, 2005

O Grande

Partiu...

"Eu sei, eu percebi..."

"Não quero que chorem..."

O Grande vive, por meio do seu ensinamento...

quinta-feira, janeiro 06, 2005

O Grande - Não é poesia é linha de pensamento!

O grande deitado espera... Espera por esperar mais ainda: eternamente.
E eu sento-me, de musica no colo, terno...
Pergunto se gosta,
responde que peixe voa...
Não entendo, mesmo sendo rei da abstracção,
digo que sim e brinco imerso em falsa ingenuidade, apenas para que não doa.
Penso e repenso no poder de decisão...
Penso no julgamento alheio...
Penso no quanto o primeiro influi no segundo...
E choro por desde já saber que me não vou poder acabar.
Mudo-me para o tal estado unido,
onde existe lei de finitude digna...
Mas como, estarei louco na altura!
Temo porque sempre quis ser como O Grande...
Excepto na finitude...

terça-feira, dezembro 14, 2004

Pensamentos

Mudanças:

Sei que de dia para dia o dia muda… Que o mundo muda… Em pensamentos, em consciência, no inconsciente… Muda… Porque tem de mudar…

Pesar:

Sei que passam dias de pesar… Sempre passaram… Sempre vão passar… Uns inevitáveis, outros nem por isso… Custa-me aceitar os primeiros, custa-me falhar não evitando os segundos… Mas como poderia alguém exigir tal coisa!? O evitar de tantos dias de pesar? É inconcebível a simples ideia de evitar algo que brota numa vida qual gás numa garrafa de Cola recentemente aberta!

Sonhos:

Criamos sonhos… Uns a solo, outros numa autêntica orquestra! Uma orquestra à qual falta um maestro… Sempre existiu e sempre existirá um violinista errante que teima em tocar só… Que teima que a melodia subsiste per se, mesmo que cada musico toque para seu lado… O violinista acaba por sair, e a melodia continua… Já não é a mesma melodia, mas continua… Quanto ao violinista: não se sabe e não quer saber…

Frases:

Conjuntos de palavras que fazem sentido… Pelo menos para algumas pessoas… Pelo menos para aquelas que as criaram… Quando uma frase é criada com base num sonho comum, todas as palavras são essenciais… Quando uma palavra cai, as outras perdem sentido…

O matutar da aparente abstracção

Deito-me...
E penso...
Penso-me,
velho...
Penso-me,
futuro...
Penso-me,
falhado...

Imagino o que aconteceria,
se o amanhã viesse hoje...
O que deste meu mundo seria,
se na minha eterna distracção,
o dia acordasse novo em seu brilho,
enquanto eu: velho...

Utopia é a minha esperança,
de moldar a vida a favor...
Mas perante súbita mudança,
mergulho em pensamentos de morte,
e no porquê de estar morto sem o estar,
e na impossibilidade de esse facto alterar...

Peter Pan me abate...
Desamparado,
meu corpo no tempo embate...
E rola anos e anos sem reacção...
Até que vejo Peter Pan novamente...
Não querendo, fujo de repente...

Vida e morte...
Ser e não ser...
Controlar as respostas,
tudo na humana mente...
Tudo é tempo!

quinta-feira, outubro 28, 2004

Só te quero feliz...
Esqueço-me que esquecer-me o impede...

Dir-se-ia que não vejo para além de meu nariz...
Sou do tipo que tudo a seu deus pede...

Na urbe de minha vida,
toda a luz tende e esmorecer...
Surjem vultos em minha mente perdida,
para em sombras se voltarem a dissolver...

E é entre sombras tristes e chuvidas,
que surje tua brilhante imagem...
De cor repleta vens em risos sentidos,
iluminas minha vida, qual arajem.

Mas é em minha consciencia desolidão,
que me teimo em perder repetidamente.
Como um efeito de absorção,
de negativo sentimento incessante.

E tento...

Tento integridade,
tento idade,
tento consciencia,
tento noção,
tento ciência,
tento razão,
tento imaginação,
tento abstracção.

Mas este bloqueio mental
acaba por resular,
na negativa sensação,
no imenso mal estar.

Porque só te quero feliz,
só nos quero como tal...

Mas só pouco consigo...

Consigo imensidão,
consigo solidão,
consigo angustias,
consigo tristeza,
consigo lágrimas...

Tenho andado só,
e inevitávelmente mais só tendo a ficar...
Só queria poder resolver,
só to queria poder explicar.

Só agora to consigo dizer,
só agora me estou a consciencializar.
Só agora o estou a escrever,
pois só escrevendo, na mente, o consigo sintetizar...

terça-feira, outubro 19, 2004

Piromania

Sou uma pessoa estranha... Sou capaz de contemplar uma chama durante horas... No Inverno, a lareira acesa exerce sobre mim um qualquer efeito hipnótico...

Quando me sinto seguro perante o perigo, deixo-me invadir por uma calma e paz de espírito incomparáveis! Seja perante um fogo, seja num temporal, seja numa falésia...

É uma forma de meditação e de contacto com o nirvana tão boa como qualquer outra...

A experimentação...

No carro... Chove suavemente, nada mais que um ínfimo aguaceiro... O vento por sua vez, sopra fortíssimo, talvez pela localização geográfica do local onde me encontro... Mesmo como eu gosto!

Deparo-me com vinte minutos de espera, pelo que ligo a música e, aborrecidamente, constato que deixei o livro, de capa azul forte que ando a ler, em casa... Ligo a música... Millencolin - Pennybridge Pioneers. Enquanto o CD vai avançando, música a música, penso no que posso fazer para ocupar o tempo. Estou farto dos jogos do telemóvel...

Contemplo o tempo fora da redoma! Adoro temporais sem chuva, são dos espetáculos mais poderosos da natureza!

Abro o porta-luvas e a minha luz de esperança incide no meu Moleskine laranja! Sim porque a luz de esperança emerge de cada um, sabem?... Voltando ao Moleskine... Esquecido à cerca de um mês no porta-luvas... Abro-o, e pego na castiça caneta que se queda ao pé do cinzeiro de qualquer carro... Juntos, Moleskine e caneta, servem o seu propósito e permitem-me a criação deste breve texto... Breve porque finda 9 linhas abaixo... Queria desacrever-vos o tempo lá fora... Queria descrever-vos o cheiro do ar lá fora... A sensação do vento na cara e as memórias das surfadas que brotam a cada impacto de chuva fria que entra pela janela... Mas não posso! Não estou lá fora... Não sei...

Abandono o Moleskine, a caneta, a mente... Ficam os três dentro da redoma, e saio em comunhão com o tempo agreste! Estou no temporal e a minha alma inquieta acalma!

Porque a melhor avaliação vai para além da observação, passa pela experimentação.

quinta-feira, outubro 07, 2004

Eu Moldando-se

Sou besta,
sou senão,
sou incerteza,
sou coração,
sou alma,
sou podridão,
sou dor,
sou possessão...

Tomo tudo em meus braços,
por besta me tomo sem pensar.
Por tudo proteger tentar,
me excedo a largos passos.

Tomo metafísico,
tomo amor,
tomo beleza,
e tomo ardor,
tomo da vida a genialidade,
da amizade a simplicidade,
da simplicidade a facilidade
e de quem amo a liberdade...

E é por tão bem querer,
que acabo por asfixiar!
Para me não sozinho ver,
abuso do esforçar.

E abuso de mim,
e abuso de vós,
a quem seria capaz de ceder vida,
a quem roubaria a dor,
para com ela me esconder,
e contra ela por vós ser lutador...

Sou monte de massa em modificação,
e até morrer o serei.
Sei sempre que errei,
custa mais a admissão...

Sou chuva...
Sou monção...
A Besta da emoção...
Sou luva,
de protecção,
cujo latex
corta respiração...

Não me mexo,
fico quieto,
e vejo meus erros
tomar nova forma...

Espero, desespero,
em minha estupida fé vos venero.
Quando dela nada quereis,
quando ela só vos afasta mais...

Sou forca tentando ser força,
sou à força tentando ser prazer...
Não querendo exercer poder,
descontrolo tudo à minha volta...

Descontrolo rimas,
e com isso perco...
Perco valores,
perco melodia,
perco amores,
perco magia,
e perco tudo o que não queria...

Porque já perdi o que tinha a perder,
agora perco aquilo que sei não poder...

Ou serei nada...

À Futura Meca...